28 de jun. de 2020

Semana Afonso Schmidt - Vida e Obra de Afonso Schmidt, por Celma de Souza Pinto

Olá pessoal!

Ter a historiadora Celma de Souza Pinto como colaboradora na equipe da Biblioteca e Arquivo Histórico de Cubatão - SECULT  é um luxo! Funcionária pública de Cubatão, retorna entre nós e espero que assim permaneça contribuindo com seus exímios estudos. Autora de  vários livros que retratam a história da cidade, dentre eles o da Cia Anilinas, nos presenteia com seu trabalho de tanto saber!
O Arquivo Histórico tem muito orgulho de a receber e tem tudo a ver com seu perfil!
Faço até um apelo, FIQUE! 
Sua presença nesta publicação contribui e muito para nos apropriarmos um pouco mais do nosso escritor - poeta - jornalista  cubatense Afonso Schmidt, que amanhã, 29 de Junho aniversaria! Aprecie essa bela leitura!
SEMANA AFONSO SCHMIDT 2020 em ensaios e  registros virtuais, e se tudo caminhar bem, para melhor acontecer em Junho de 2021! 
Até lá! 
Não percamos a Fé!

Dani Da Guarda
Chefe de Divisão de Bibliotecas e Arquivo Histórico



Afonso Schmidt 

"Não sou um intelectual que serve ao povo, mas um homem do povo mesmo, que tem a faculdade de se exprimir em arte”.

            Em 29 de junho de 1890 nascia em Cubatão o escritor Afonso Schmidt. Filho de João Afonso Schmidt, natural de Cananéia, e de Odila Brunckenn Schmidt, de Cubatão, eram descendentes de alemães.
            A infância de Afonso Schmidt foi marcada pelas dificuldades financeiras. A família de bananicultores morou em locais diferentes de Cubatão, como Itutinga e próximo à ponte do Rio Cubatão, permitindo ao menino a exploração de tudo que a região podia oferecer naquele momento: natureza, banhos de rios, caçadas e muita observação. Em romances autobiográficos, como Menino Felipe (1950) e Bom Tempo (1956), Afonso Schmidt retrata aspectos físicos, econômicos, geográficos e o modo de vida de Cubatão do final do século XIX e início do século XX, especialmente quando o autor narra a sua infância.
O próprio Schmidt assim se refere à sua obra: 

O Menino Felipe é um cubatense do alvorecer do século, quando a nossa terra não passava de uma estrada. Ele atravessou a nado o rio Cubatão (lá em cima) e brincou com todos os moleques do seu tempo, dos quais guarda as melhores saudades. Ele estudou nas escolinhas do bairro e mais tarde cultivou a sua arte apesar de todas as dificuldades e, principalmente, sonhou. Foi soldado do “petróleo é nosso”. Viajou algumas vezes sem tostão pelo mundo inteiro levando pendurado ao pescoço, como bentinho, o nome de Cubatão... O Menino Felipe, talvez seja corujice de minha parte – é o primeiro romance escrito no Município, do Casqueiro ao Alto da Serra. Apresenta sua paisagem, os seus costumes, algumas de suas figuras. Menos, está claro, aquelas da fantasia que enxertei para alcançar o efeito literário mas que, na realidade, só serviram para afeiar a obra. O povo daí é tão bem que eu, para armar o contraste, tive de inventar os maus, os antipáticos. (Schmidt, 1957).

Afonso Schmidt foi escritor, poeta e jornalista. Desde menino manifestou vocação literária, publicando seu primeiro livro de poesia, Lírios Roxos, aos quinze anos. Seu estilo literário figura nas correntes chamadas Parnasianismo e Simbolismo. No início da sua carreira como jornalista, trabalhou em jornais de Santos e de São Paulo. A partir de 1920, começou a participar de um ambiente jornalístico mais prestigiado, trabalhando em grandes jornais paulistas e alcançando grande notoriedade popular. Foi reconhecido como um dos grandes cronistas da capital paulista pelo livro São Paulo dos Meus Amores (1954).

Sua obra é extensa em diversidade de títulos, número e volume das tiragens, com mais de 40 trabalhos e cerca de 500 mil exemplares vendidos somente pelo Clube do Livro. Teve uma breve incursão no teatro com as peças. As levianas e Carne para Canhão. Schmidt recebeu inúmeros prêmios. O mais importante, o de “Intelectual do Ano”, em 1963, foi o Prêmio Juca Pato, promovido pela União Brasileira de Escritores e pelo jornal Folha de S. Paulo. Foi membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e ocupou a cadeira número 10 da Academia Paulista de Letras. Morreu em São Paulo, no dia 3 de abril de 1964, aos 73 anos.